sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Ter ou não um carro?

Olá amigos, hoje tive a oportunidade de trabalhar em uma marcenaria fabricando mobília planejada para determinada casa em reformas. O que fiz, como bom ajudante, foi trabalho "no-brainer" (cortar, lixar, passar cola, carregar placas de mdf...), mesmo assim achei mais difícil a meu ver que a carpintaria (no início pelo menos) por ser chato demais, dentro de um galpão quente e envolver um nível de precisão e detalhe bem maior. Na carpintaria muitas vezes dá pra tocar o cavalo e seguir trabalhando a modo bruto (hard carpentry), já na marcenaria pode não ser possível relevar alguma falha no trabalho.

Nos últimos meses fui apresentado in locco ao mundo secreto dos ricos (lembram da casa de 15 milhões de euros em que trabalhei?) e de quem compra cozinhas planejadas e instala estores elétricos. Tem sido interessante e somado no meu "arsenal de ideias de construção".

Foi legal na marcenaria, aprendi coisas novas e eles estão precisando um empregado, pois demitiram um velho caduco a pouco tempo. Estou pensando se me candidato à vaga, pois seria algo mais fixo, ainda que me tire do dia a dia nas obras (estou com pouco trabalho nos últimos dias por ter me negado a trabalhar pra o empreiteiro nervosinho, contratante regular do cara que eu ajudo).

O lado bom é que o dono dela tem uma empreiteira e poderia atuar em várias frentes além de fabricar móveis (o pai dele é capataz na marcenaria e ele nas obras). O horário é fixo: seg a sex das 8 as 17h. O negócio se trata mais de fazer coisas simples com o velho e outro profissional, como lixar, envernizar, etc, e dirigir até as obras com o material acabado.

Vamos ver o que acontece e onde a vida me leva (brhue). Mas a verdade é que nunca vi marceneiro rico. Quero erguer casas do chão ao telhado, não fabricar caixotes.

Me indago se uma base de alguns meses nas trincheiras da marcenaria seria positivo, ou se seria melhor eu me manter no ambiente da pedreiragem pura. Fique ligado.

Nos últimos dias também me deu uma loucura e candidatei-me a uns empregos de fim de semana em armazéns (só quero empregos com o mínimo de responsabilidade possível). Se me chamarem posso fazer um teste. Minha mulher trabalha nos finais de semana, e eu estaria livre pra carpintaria nos outros dias.

A liberdade é doce e não quero perdê-la indo atrás de uma vaga de escravo de escritório mais. Meu blog é sobre a busca de liberdade e vida melhor, não sobre competir com robôs e macacos treinados uma vez que não tenho a menor chance contra eles.

Enfim, vamos logo ao assunto do título antes que você vá ler um blog melhor.

Automóvel: pra que diabos você precisa de um?

Primeiro você deve pensar: porque levar em consideração a opinião de um paspalho pão duro que nunca dirigiu na vida? Pois é amigos, fiz carteira de moto aos 18 e de carro aos 25 e nunca peguei no volante além dessas experiências. Antes de prosseguir: valeu a pena. Tirar a carta está cada vez mais caro e moroso, e é melhor tirar aos 18 que aos 40. Minha mulher que o diga, pois perdeu algumas oportunidades na sua profissão (engenharia) por as vagas serem em fabricas nos distritos industriais e exigirem. Quando você ficar mais velho provavelmente vai ter menos tempo livre. Pense nisso.

Quem tem carteira de motorista tem um mar de possibilidades em relação a quem não tem, e não morre mais de fome pois pode trabalhar com mudança ou de motora.

Dos 16 aos 19 anos eu era apaixonado por motos e cheguei muito perto de comprar uma sonhada RD 135 à vista por 1500 reais, mas fui adiando, adiando, até que usei o dinheiro poupado em 1 ano e meio de estágio pra comprar um PC, que era necessário pra faculdade. Acabei me distanciando do maravilhoso mundo dos motores poluentes de 2 tempos, e hoje devo ser a pessoa que menos tem experiência nisso na terra.

Sou tão lixo quando o assunto é a direção prática que desconsidero oportunidades profissionais que exijam dirigir. Sério. Tenho a certeza que vou bater o carro da firma e agir como um idiota no trânsito por ser um marmanjo que já devia saber dirigir. Tenho a forte impressão que o trânsito não é lugar pra idiotas. Idiotas devem andar no banco do carona, ou melhor, de ônibus, portanto o respeito e ando a pé pois odeio transporte público.

Claro que um dia, quando eu tiver meu próprio veículo vai ser diferente. Aliás pretendo comprar aqui um mercedes ancestral qualquer dia, pra viajar pela Europa com minha mulher e mãe, quando esta vier nos visitar. Aqui os carros são baratos. Quanto? Tem carro velho por 500 euros, cara.  Se com 18 anos existisse coisa assim no Brasil ao invés de carros de 15 mil reais, eu já teria tido o meu.

Porém, neste post não vou assumir uma posição negativa em relação a comprar este bem, como assumi em meu segundo post neste blog (link) onde detalhei muitos problemas enfrentados por donos de carro.

Eu trabalhei em uma concessionária de carros líder de mercado na minha região, onde aprendi... Tudo sobre o mercado de novos e usados e seus consumidores. É dai que tiro a autoridade para dar minha opinião.

No último post discutimos um pouco sobre o que é ser um quebrado, e oportunamente o tópico automóvel surgiu nos comentários.

Na nossa sociedade atual, não parece existir um melhor exemplo para se definir alguém que esteja quebrado que a maneira como esta se locomove. Não estou dizendo que exista relação, e sim, de que a sociedade impõe uma relação.

Baseado nisso, pra simplificar bastante, as pessoas são hipnotizadas a acreditar que precisam de um carro. Já que a maioria não tem auto-estima pra chegar de cabeça erguida e cumprimenta com mão de alface, precisa suprir isso com o carro.

Eu traço um paralelo com os child-soldiers no Congo. Certa vez ouvi a entrevista de um general do EB sobre as disputas tribais que ocorrem por lá, e de como as crianças são aliciadas a tornarem-se soldados desde bem jovens. Deste modo, tornavam-se um inimigo perigoso e difícil de conquistar o coração e mente, pois sem portar um AK47 sentia-se nú.

O brasileiro em geral (essa é minha opinião e pode não refletir a realidade) se sente nú, e talvez um perdedor sem ter um carro. E aliás não pode ser um carro que o leve e traga, apenas. Tem que ser um carro na faixa de preço tal, com luzinhas e penduricalhos, ou, como mostram muitos comentários nos blogs da finansfera inclusive, o sujeito é um perdedor.

Essa ideia é tão ridícula que as vezes penso que não compro um carro pra me manter um "grey man", invisível aos olhos desses imbecis, enquanto poupo meus trocados.

Finalizando, não consigo sequer conceber que alguém compre um carro em milhares de prestações, sem ter estrita necessidade profissional. Note que estou falando do cara QUEBRADO, não de quem tem dinheiro pra comprar sem se prejudicar financeiramente.

Mudando de perspectiva, agora falando de quem precisa de um veículo para trabalhar, ou do mesmo para gerar mais valor como profissional do que o faria a pé, ou de quem felizmente já pode comprar um carro sem ficar QUEBRADO por gosto pessoal ou qualquer outro motivo, um carro pode sim, ajudar a se destacar positivamente e melhorar muito sua qualidade de vida.

Neste sentido existem modelos que "tem mais a ver" com determinados ramos e ambientes, assim como a própria vestimenta do sujeito.

Para mim seria excelente comprar uma caminhonete ou van como carpinteiro, mas não faria sentido chegar com um veículo desses todo sujo em um casamento ou reunião com o executivo de uma grande empresa. Deixo um curto vídeo (em inglês) a seguir sobre este tópico.


Em resumo: só compre um carro se isso fizer sentido em sua vida.

Creio que deixei clara minha opinião sobre o assunto, e gostaria de saber a de vocês. Existe algum motivo a mais para comprar ou não um carro?

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A terrível sensação de estar quebrado

Olá amigos, vocês já devem ter notado que tenho postado a cada dois dias. Isso se deve em virtude de eu ter acumulado um monte de posts semi-prontos, portanto vou continuar no ritmo por uns dias.

O post contém alguns palavrões. 

Esses dias estava lendo o blog do meu amigo HenriqueCimento, onde ele escreveu, contando sua situação: "estou quebrado.". Não consegui deixar de rir pois ficou um pouco caricato. A expressão, pra nós brasileiros, tem uma conotação de "fim da linha". Fosse assim seria o fim da linha pra maioria de nós.

Lógico que o cimento está estruturando seu plano e não aceitou ser um quebrado pro resto da vida (fiquem ligados no blog dele).

As expressões "I'm broke", "he's broke" e "you're broke" são bastante usadas no inglês americano. Ouvimos elas em quase todo filme e certamente em todos os que tem a ver com finanças. Eles são sem dúvidas um povo que liga mais para sucesso financeiro e profissional como medida de felicidade, e a despeito dos supostos problemas que psicologos e coitadistas atribuem à esta cultura, é sem dúvida algo que faz as pessoas se esforçarem e progredirem.

Porque acredito nisso? Porque uma pessoa coitadista, que acha culpados externos (tirando o governo) pra seus resultados não chega longe. Isso é facilmente observável. Nossa cultura latina, hoje "marxizada" é assim.


Não estou pregando que a solução pra tudo se limite a ser positivo, ainda que isso seja importante, nem que dinheiro é a principal coisa da vida. Estou dizendo que é uma merda ter a imagem de si mesmo como quebrado sem perspectivas. Eu fui bem pobre, mas em especial após me formar na faculdade minha imagem de mim mesmo era uma bosta, pois a vida estava me apontando pra direção da "vida de trabalhador" (proletário moldado pela escola). Tive muita sorte até aqui, mas tudo dependeu de eu não ter aceitado minha condição em primeiro lugar.

Lembro de que pedi demissão do meu salário de R$880,00 e dias depois estava em uma pensão horrível em outra cidade, procurando outro emprego pra me sustentar e fazer MBA (ainda bem que desisti dele).

O brasileiro em geral aceita sua condição, como se fosse natural pertencer a uma casta, e que quem é responsável por melhorar sua vida (dar condições de trabalho, saúde, transporte, moradia...) é o governo. Fica pra sempre na corrida dos ratos, não só financeiramente mas também culturalmente.

Desde criança questiono algo que ainda não encontrei resposta:

Se você mora numa favela controlada por perigosos bandidos;
Se você mora no sertão onde não tem água nem emprego;
Se você mora em uma grande cidade e perde 4 horas por dia para ir e voltar do seu emprego horrível;
Se o Brasil é tão merda...

Enfim, se você não tem escolha,

Porquê não vai embora?

Você pode ser pobre num lugar mais rico e fácil de viver também, sabia? Tenho um amigo que foi ser garçom em festas e recepcionista de uma pousada de praia, dentre outras coisas. Enfim, empregos que tem em qualquer lugar. Aproveitou a juventude de maneira independente, comprando suas coisas, fazendo amigos, transando muito (hauhaua), enquanto muitos amigos nossos ficaram na antiga cidade minúscula que todos odiavam, dando a volta na quadra de carro pras mesmas mulheres rodadas verem, trabalhando nas mesmas empresas/órgãos públicos que os pais.

Poderia ter chegado bem mais longe se fosse poupador, mas bem, pelo menos agora esse amigo tem sua firma de pintura residencial. 

Não custa lembrar que eu não dou conselhos pros outros. Este blog serve pra eu falar comigo mesmo!

Se o cara está quebrado não adianta fazer a mesma coisa que lhe tornou um quebrado. É preciso ser o que os gringos chamam de "grinder" ou "hustler", trabalhar que nem um louco e poupar muito. Ignorar os amigos e namoros sem saída. Aprender a fazer dinheiro com alguma coisa... Revendendo carros, sei lá. Uns caras no meu tempo de faculdade levavam muita bebida na frente das filas de festas e faziam um dinheirão (pra época).

O pior é que a gente acha que quando é jovem é mais difícil por não ter experiência mas isso é a maior ilusão, pois a única experiência que se adquire de verdade é em ser empregado, e mesmo assim você vai se cagar quando procurar um emprego novo e ter que aprender coisas novas.

Quando se é jovem é bem mais fácil testar e aprender coisas diferentes, e muitos ainda podem contar com os pais pra dar comida e teto. Além de tudo jovens tem mais energia!

Os pais são ativos valiosos pros jovens pois poupam tempo e dinheiro. Quando você tiver que cozinhar e pagar aluguel sua energia é drenada, pois ao invés de ver a poupança crescer vai trabalhar pra pagar contas e fazer tarefas domésticas no tempo livre.

Rale pra caramba, poupe todo o dinheiro que puder e não gaste em absolutamente nada. Esqueça carros, festas, namoros. Apenas poupe e invista tudo. Não até ficar rico, mas pelo menos até deixar de ser um quebrado.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Filme do mês Shot Caller

Olá amigos, mês passado tive preguiça de resenhar um filme mas volto com o quadro este mês, e pela primeira vez falarei de um filme recente ao invés das velharias que eu tenho costume de ver e rever.

Trata-se do filme Shot Caller*, acho que ainda sem tradução no Brasil. Assista ao trailer e cuidado com os spoilers. Cuidado se você for sensível pois o filme é um pouco violento.

*shot caller é o chefe de uma gangue, que manda os outros membros executarem trabalhos para o grupo.

Filme de cadeia

Jacob é um cara qualquer com uma carreira legal no mercado financeiro, esposa e um filho. Enfim tudo perfeito e sensação de invencibilidade. Numa bela noite sai com sua esposa e um casal de amigos, onde se envolve em um acidente de trânsito e seu amigo morre. Jacob é processado pela mulher do amigo e vai parar na cadeia por admitir culpa no acidente como seu advogado recomendou. Ao contrário do que o advogado promete, Jacob é condenado a vários anos de pena em uma penitenciária estadual (geralmente mais perigosas que as federais).

Em sua primeira noite preso, Jacob presencia um homem ser atacado e estuprado. Decidido a manter seu brioco intacto Jacob mete a mão na cara do primeiro vadio que lhe enche o saco no pátio e mostra que não vai ser mulherzinha de ninguém. Isso chama a atenção dos supremacistas brancos que o aliciam a entrar na sua gangue imunda. Neste momento Jacob comete o erro de sua vida e aceita em troca de proteção.


Lá dentro Jacob descobre que vai mofar por vários anos e é abandonado pela esposa. Também pra de escrever para seu filho acaba por se tornar um bandidão da pesada todo tatuado.



O tempo passa e após ele cumprir sua longa pena, é obrigado a fazer trabalhos sujos fora da cadeia para sua antiga gangue. Ao sequer pensar em se negar pra perseguir uma vida decente, lhe dizem que sua esposa e filho morreriam.

A merda vai escalando a um ponto que Jacob fica de saco cheio de tudo, abandona a ideia de vida normal e finda por voltar pra cadeia apenas pra matar o chefão de seu bando e se tornar o novo "shot caller".

Segundo depoimentos pode ocorrer de se dar mal mesmo com quem tenta ficar longe de problemas. Uma coisa comum é ter que carregar uma arma ou defender seus amigos em caso de brigas generalizadas, e ai você pode acabar tendo que passar o resto da vida numa jaula.

Este filme foi bastante esperado por quem estuda ou tem alguma ligação com essas coisas de cadeia. Achei um grande filme e bastante realista (até onde sei) e que também consegue passar uma fração do stress que é ir pra um inferno daqueles, porém na realidade americana.

Tem dois canais no youtube se você quiser saber em maiores detalhes como uma prisão americana funciona: "afterprisonshow" e "fresh out". Cadeia não tem glamour nenhum e este filme foi feliz em mostrar isso, e em como a vida muda numa fração de segundo.


domingo, 13 de agosto de 2017

A importância dos pais

Olá amigos,

Hoje é dia dos pais, uma data importante na nossa cultura pelo menos a até alguns anos atrás.

Fazem anos que o comércio capitalizou a data, pregando ser obrigatório comprar um presente como um relógio, caneta ou sei lá, pois nunca presenteei meu pai.

Pra mim o hábito de dar presentes se propagou com o desmantelamento da instituição familiar. Os filhos estão longe, não tem saco pra fazer uma confraternização decente (muitos nem veem motivos pra isso) e optam por pagar um tributo a seu pai pra resolver a situação logo.

Esse negócio de dar presentes vem desde a escola. Ao invés de haver uma palestra sobre as qualidades e importância do pai, a professora manda pintar um papel pra ter algo para dar de presente. Todo mundo tem que dar alguma coisa pra demonstrar seu amor nesse mundo apodrecido.

Geralmente quem é homenageado mesmo são os avós, por serem velhos seus filhos terem capacidade de pagar um presente melhor.

Uma coisa que eu sempre digo aqui no blog (estou devendo um importante post a respeito) que nenhuma família é perfeita, mas o ideal da família jamais deve ser abandonado. Eu mesmo não falo com meu pai desde os 17 anos pois ele é um canalha, mas isso não significa que eu não deva reconhecer as qualidades dos meus amigos e familiares que são pais. O ser humano precisa e algumas vezes merece isso.


A importância dos pais


Sempre tive um pouco de ciumes dos meus amigos com pais sábios (eles sem dúvidas chegaram mais longe na vida) e hoje tenho amigos que são pais e parecem saber ensinar seus filhos através de um método bem melhor que o do meu. Minha esposa também não tem mais pai (faleceu), nem temos avôs vivos então aqui em casa não temos mais esta referência.

Pai ensinando o filho a construir casas.
(faltou chapiscar pro emboço não cair) 

Eu leio bastante e estudo sobre o assunto (gosto do Içami Chiba), observo minhas atitudes em diversas situações e espero um dia ser um pai admirável e de valor.

Espero que você leitor se torne um excelente pai.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

De zero a um milhão em 14 anos sendo jornalista

Antes de mais nada, não quero ofender ninguém aqui. Escrevo opiniões baseadas em experiências pessoais que podem não refletir a realidade do mercado.

Acabo de assistir a um video de uma youtuber educadora financeira que diz ter chegado ao milhão aos 32 anos de idade.


Segundo ela conta, começou a trabalhar e poupar aos 19 anos, ou seja, menos de 14 anos atrás. É possível?

Consultei uma calculadora que deu o valor de aporte R$ 2314,30 mensais a um 1% de juros a.m. No período.


Difícil? Para a maioria dos brasileiros, bastante, mas longe de ser impossível. Só não entendi uma parte do vídeo em que ela falou que 5% (50 mil reais) do montante vieram de juros.

Ela disse ser jornalista. Eu sempre tive contato com muitos jornalistas e conheci realmente poucos que faziam mais de mil reais por mês (falo de até uns 5 anos atrás quando era metido com isso). Nesta carreira é bem complicado se diferenciar e quem conheci que ganhava um pouco melhor eram professores de universidade (salário ruim também), chefes de veículos (que trabalhavam com venda de espaços comerciais) e âncoras de jornal regional.

Tirando esses o diploma não ajudou em nada, até porque é uma profissão que se pode aprender a técnica sozinho em alguns dias estudando pela internet. Denovo, isto é apenas minha opinião. A maioria dos jornalistas que conheci que não estavam desempregados trabalhava no mesmo veículo desde antes de formado pelo mesmo salário, ou se dizia blogueiro.

Quando ela disse ser jornalista acendeu uma luzinha amarela aqui e fui ler os comentários, onde haviam alguns caras dizendo que ela é casada com um homem dono de um site grande. Bom, não sei se é o caso, mas é sempre bom crescer junto ao companheiro(a). Solteiro é mais difícil, mas ela não falou sobre o assunto.

Além disso ela falou ter trabalhado num grande veículo onde batalhou bastante e se qualificou, o que faria sentido caso eu não conhecesse dezenas de jornalistas que sempre fizeram o mesmo e ganham mal pra cachorro. Não necessariamente no mesmo veículo que ela citou, mas em veículos regionais do interior.

Pra mim os motivos que ela apresentou simplesmente não bateram. Não que eu duvide que ela tenha o valor investido, mas porque simplesmente seu exemplo não vale pra maioria.

Quer dizer, alguém com uma profissão pouco especializada (não era minha intenção neste exemplo, mas jornalismo é uma profissão pouco especializada na minha opinião) como um lixeiro ou motorista de taxi aparece no youtube com rosto bonito, cenário legal e jeito irreverente e lhe diz "eu fiz assim, faça você também!" e ninguém coça a cabeça?

Não sou hater e admiro empreendedores como a própria moça do video, que tem um canal com muitos seguidores e certa vez vi que era patrocinada por uma corretora.

Faço este post para alertá-lo que se quiser chegar ao milhão você também vai ter que fazer como ela e criar fontes de renda lucrativas usando alguma "vantagem injusta" como falarei no próximo post. Não é só poupar e viver com menos que o salário. Principalmente se for jornalista.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Estou sem trabalho e meu gato morreu

A alguns dias contei como quase perdi meu emprego (link) por não me sujeitar ao empreiteiro nervosinho. Acabei passando duas semanas em casa assistindo bons filmes de gangsters e bolando ideias de negócios fáceis e lucrativos, mas obviamente nada útil surgiu disso.

Neste interim um dos nossos dois gatos infelizmente morreu, vitimado por um problema crônico. O pobre azul russo teve uma existência torturada. Nascido num parque da nossa antiga cidade, foi capturado por um pet shop que o usava como bolsa de sangue para outros gatos e segundo a veterinária que lhe fez a eutanásia aqui em Portugal, provavelmente em experimentos satânicos por estagiários/estudantes com testes de dosagem de remédios. Não sabia disso e senti muita raiva.

Nos últimos tempos ele definhou por não se alimentar e vomitar. Foi bastante triste ver o exame que lhe atestou anêmico em um nível inacreditável e que a eutanasia seria uma opção melhor que o tratamento com transfusões caras e que não teriam resultado.

Alguns dias depois minha esposa achou uma filhote da mesma raça para adoção que voltou a alegrar a casa.

Enfim fui chamado semana passada pelo cara que eu ajudo para um novo trabalho aqui na cidade.

Tratou-se de montar roupeiros e cozinhas (eram duas obras do mesmo patrão), onde fiz o trabalho pesado e robótico, até que chegou a um ponto da empreitada mais fino que simplesmente eu não tinha o que fazer.

Não tenho capacidade de fazer carpintaria fina, principalmente em coisas que se deve fazer rápido e que nunca fiz ou só auxiliei uma vez. Não com minha pouca experiência.

Consigo trabalhar instalando chão, portas, vigas, decks... Carpintaria mais tosca. Preciso encontrar um curso que acelere minha compreensão sobre detalhes. Infelizmente os únicos que encontrei aqui são em uma escola no norte do país e exige que eu fique alojado por lá. Como sempre aprendo algo trabalhando e sou pago por isso, fui protelando, mas vou entrar em contato e decidir o que fazer.

Neste momento estou em casa denovo, aguardando dois trabalhos que iniciaremos na próxima semana. Por um lado não me preocupo tanto pois TEM trabalho. Tanto se eu buscar um lugar mais fixo pra ser ajudante, quanto com esse cara que ajudo que tem coisas engatilhadas (um dos trabalhos da próxima semana é para uma arquiteta que já prestamos serviço e tem uma casa inteira para reformar após sair a licença.

Escrevo este tipo de relato aqui para que os interessados nos caminhos do trabalho de peão não-boiadeiro tenham uma imagem mais clara das dificuldades de iniciar em um novo trade.

Tem muito dinheiro e negócios a serem inventados no ramo da construção civil, mas entrando jovem ou não você precisa ter perseverança e aguentar firme (até ter outras formas de renda).

Decidi reconstruir minha biblioteca pessoal, que foi devastada quando vendi tudo o que pude antes de vir para Portugal.

Não consigo ler nada em formato digital. O que eventualmente comprei, li forçado e não reli nunca mais. Pra mim ler livros é uma experiência prazerosa que não pode depender de ligar o computador, que além de demorar mais que pegar o livro na estante e ser incômodo dispersa a atenção.

Além disso posso vender livros impressos que não me interessem mais por uma fração do seu preço.

Em princípio pretendo adquirir uns clássicos de negócios, economia, biografias e algo de carpintaria. Nada muito filosófico.

A cada volume que adquirir farei uma resenha. Fiquem ligados.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Meu primo dedicado foi demitido

Tenho um primo mais jovem que se sobressai pela educação e esforço no que tange a trabalho. Desde criança ajudou seu pai no trabalho rural e também meu falecido avô, por morar perto da sua loja.

Apesar de nunca ter levado a escola muito a sério, acabou se tornando técnico, e mais tarde bacharel em administração. Desde cedo trabalhando, desenvolveu talento para vendas (uma habilidade importante e admirável) , e a cerca de três anos obteve um salário decente em alguma coisa de visitar clientes e distribuir produtos de uma multinacional em uma região de nosso estado. Aquele tipo de trabalho que dão pra coroas que precisam sustentar a família ou jovens comprometidos que se sujeitam a ficar longe de casa uns dias por semana.

Naturalmente por falta de conhecimento em finanças pessoais, optou por sacrificar uma fatia de seu salário em um MBA (se pelo menos fosse em finanças ou gestão de projetos seria melhor) em Marketing, acreditando que isso seria bem visto pelo mercado. Mancebos corporativos são de certo modo como crianças, que aprendem copiando os pais. Se matriculam num MBA por ver que o chefe fez isso anos atrás.

Durante todo esse tempo notei, pelo que ele comentava, que dois chefes identificaram nele as características certas para expremer todo seu potencial antes dele se dar conta.

Ele até teve uma promessa falsa de promoção interessante (leia aqui como gerenciar pessoas). 

É comum no mundo dos escritórios ficar tempo a mais, fazer aquela viagenzinha, mudar a data das férias ou as vender por necessidade da empresa, representar a empresa naquele evento chato sem ganhar nada, fazer aquela visita usando seu carro próprio e gasolina... Um monte de coisinhas convencionadas como obrigação do empregado no Brasil, que tem medo de ser demitido ou mal-visto em seu ambiente por não vestir a camisa.

Ontem mesmo o patrão da minha esposa pediu "um pequeno esforço que não custa nada" pela empresa, no grupo de conversas criado exatamente para este objetivo, de se cadastrar num site de avaliação usado por turistas para avaliar e comentar positivamente sobre a empresa, chamando os amigos e parentes para o mesmo, e que pra dar credibilidade devem avaliar várias outras empresas antes (os comerciantes adoram esse tipo de site aqui). Pode Arnaldo? 

Se fosse comigo eu responderia após seu textão: "não". Sou o cara mais monossilábico que conheço na Internet. Com a revolução causada pela Internet no telefone, o trabalho te acha em qualquer lugar na forma de um favorzinho (leia aqui como lidei com isso)

Esta semana este primo foi demitido num downsizing inesperado (pelos peões) e está arrasado, amaldiçoando a empresa e preocupado com a mancha em seu currículo.

Claro que fiz minha parte e lhe expliquei que cada dia trabalhando para os outros é um dia perdido. No fim do mês você tem que ter ficado mais rico, não melhor formatado à uma matéria da revista Exame.

Ao ser atingido com as perspectivas que apresentei ele se defendeu usando uma espécie de Sindrome de Estocolmo do proletariado.

Considero isso na idade dele resultado dos anos de doutrinação da escola e mídia. Ao longo do tempo alguns conseguem enxergar a verdade após sofrerem suficientes desilusões. Muitos não.