quarta-feira, 29 de março de 2017

Ter hobbies úteis que dão dinheiro

Já notaram como parecem existir estereótipos de povos mais trabalhadores que outros?
 
Não sei se isso é verdadeiro e nem me interessa discutir os motivos, mas uma coisa que observo em algumas culturas é que existe uma forte filosofia de trabalho em detrimento a outras, que valorizam mais a educação, outras ainda parecem dar mais valor à diversão e o lazer. Esses estereótipos estão presentes até regionalmente e entre estados de um mesmo país.
 
Hoje em dia existe a babaquice do politicamente correto, portanto essa é uma questão que deve ser abordada com cuidado. Mas é fato que as gerações passadas eram mais ossudas e trabalhadoras. Reclamavam menos e colocavam mais a mão na massa. Era "feio" ficar sem fazer nada, e mesmo no tempo livre as pessoas tentavam fazer algo útil, nem que fosse cortar a grama ou colar uma cadeira quebrada. Pessoalmente tenho pouca paciência com pessoas que não sabem fazer coisas básicas, como assar um simples churrasco ou limpar a casa, e ainda se orgulham disso.



 
Com a popularização do ensino superior, muitas profissões braçais ganharam estigma de profissão de pobre ou de dominadas por pessoas ignorantes, o que contribuiu para as novas gerações saturarem profissões mais intelectuais com profissionais inexperientes e de menor qualidade.
 
Durante a vida me afastei de profissões braçais, pois meus pais martelavam que profissões boas eram aquelas em que se sentava na frente de um computador, com roupa social, o resto era lixo. O resultado financeiro disso foi curiosamente inverso. Todos os empregos que tive pagavam mal, muito mal, e não me davam a possibilidade de compensar com mais horas de trabalho. Isso me deixou frustrado pois eu queria ser capaz de compensar meu salário baixo com o bom e velho trabalho duro.

Aqui deixo um parêntese. No Brasil temos o péssimo costume de sermos remunerados por mês ao invés de por hora de trabalho (recebendo no final da semana), enquanto se tem alguma ilusão de que as leis vão nos proteger e fazer pagar as horas extras. Aí o cara trabalha 10 horas por dia e ganha R$ 3500,00 e outro trabalha 8 e faz 3 mil. Qual ganha mais? O segundo ganha mais pois trabalha menos horas por mês, ou seja, isso é um desestimulo ao trabalho. Nem vou falar que o cara que trabalha 10 horas abre mão de sua correta remuneração para não perder o emprego ou ser visto como vadio, além de, por fazer mais dinheiro, pagar mais imposto. Temos isso na nossa cultura tupiniquim... Ou você se deixa explorar, ou é demitido ou visto como vagabundo.


Físico deprimente, stress, bolso roto, depressão.
 
 
Hoje em dia o sistema de ensino nos torna super especializados em uma única área de formação, pois vendem a ideia de que é através de mais e mais qualificação formal que se ganham melhores salários. Quando criança lembro que já ouvia "hoje a faculdade não chega, tem que ter uma pós...". Sorte minha que sai desse espiral e parei de sustentar o sistema de ensino antes da velhice. Meus pais não tiveram a mesma sorte. Se tivessem aportado em poupança o que investiram em estudo, e aprendessem um pouco de finanças pessoais, as próximas gerações estariam garantidas... Meu pai nunca alimentou o suficiente a previdência estatal (certo ele), mas também nunca aportou em ativos geradores de renda e por isso morrerá na miséria com seus diplomas. É amigos, seus diplomas não valem de nada no fim da vida se não tiver a IF ou filhos benevolentes.
 
Muitos discutem o que fazer depois da Independência Financeira, quando e se ela vier, pois isto pode se tornar um problema. Ficar o dia todo sem fazer nada é um dos caminhos mais rápidos para a loucura, e vendo um seriado chamado Counting Cars (Loucos por Carros - no Brasil) onde os caras restauram carros antigos para vender e se divertem muito como se fosse um hobbie vi que daqui a uns anos, quando e se a IF chegar para mim, não vou ter nenhuma atividade produtiva caso não comece a agir agora. Além da oficina, o protagonista e seus sócios também tem uma loja de tatuagens, um restaurante e uma banda de hard rock, e tem o tipo de vida que eu gostaria de levar. O cara não é "alfa" nem nasceu milionário. Pelo contrário - nasceu numa família operária e decidiu tornar seus hobbies rentáveis.
 
Decidi estudar coisas de áreas que gosto, construção e carpintaria. Nos últimos anos observei inúmeras vezes onde gente sem estudo formal algum fazia em uma empreitada de alguns dias mais dinheiro que eu em um mês inteiro (pergunte a quem compra imóveis ou carros de leilão).

Outro detalhe: Com seu curso universitário você pode arrumar emprego em qualquer lugar do mundo? Se você não for médico/dentista (que fale belga)/enfermeiro ou um puta cara de computação, sinto muito.

A ideia de que vou poder, além de ter minha loja, trabalhar em um ou outro projeto é bem satisfatória. Além disso minha profissão de formação é meio inútil quando a economia está ruim.

Se você achou minha opinião interessante e quer uma dica, comece a montar sua caixa de ferramentas que vai usar pro resto da vida e observe o tempo que gasta diariamente no Facebook e assistindo porcarias.
 
 

domingo, 26 de março de 2017

Escolha uma profissão PRÁTICA

Este blog mostra minhas opiniões e não o que é certo ou errado. Se você se ofende com opiniões vá embora. Nada aqui é recomendação de nada pra ninguém.

Faz algum tempo tenho dado opiniões sobre melhores decisões de carreira. Vejam vocês, um cara que não teve sucesso em carreira alguma e foi pulando de emprego em emprego até aqui, e de modo surpreendente obteve relativo sucesso por enquanto.

A despeito de eu achar Engenharia Civil e Medicina as duas carreiras que mais trazem oportunidades valiosas pro formado, a partir de agora pretendo escrever sobre características mais genéricas, porém sem perder a objetividade nas minhas opiniões e baseado no que observei que funciona melhor pra maioria até agora, sem enrolar.

Acredito que nos últimos dois séculos com a corrida pela industrialização dos países de terceiro mundo, ou pelo menos depois da segunda guerra mundial, em que os governos começaram a influir bem mais na economia visando direcionar o crescimento, ocorreu um fenômeno invisível pra maioria e que eu mesmo demorei bastante pra identificar: o estímulo a determinadas indústrias, levando as massas a enxergar vocação pra determinadas carreiras que jamais escolheriam de modo voluntário.

Através da mídia se mostrou modos de vida incomuns como os dos artistas, publicitários e homens de negócio de sucesso como coisa completamente normal.

Somente a título de curiosidade, após o Japão ter sido arrasado o governo  (e o shadow gorvernment da época, a Yakuza) estimulavam e  financiavam os jovens a buscar profissões úteis na reconstrução do país, e ESTE MOTIVO levou as massas de imigrantes japoneses com profissões sem espaço no mercado japonês a migrar, inclusive para o Brasil. Por isso muitos deles são formados em cursos de negócios, são ex-militares (combatentes) e de áreas menos técnicas.

Quero dizer que o Joãozinho que cresceu lá no interior de São Tomé das Letras vai pra alguma capital estudar Física ou Relações Públicas ou o que for que o mercado regional não vai absorver, e pra não ficar desempregado provavelmente vai ser forçado a estudar pra um concurso público ou buscar um emprego de vendedor de loja.

Durante toda minha vida fui direcionado a estudar direito (fiz outra coisa) e manter-me nos ramos intelectuais, assim como quase todos os de minha geração e olha no que deu. Quase todo mundo desempregado, e vários dos que se mantiveram na minha área ganham menos que alguém sem faculdade e o mesmo tempo de estrada.

Quem nunca ouviu falar que os melhores cargos em grandes empresas, mesmo em áreas de gestão e planejamento são ocupados na grande maioria por engenheiros? Há quem diga que é pelo pensamento analítico que se desenvolve na gestão por processos e bla bla bla.. Porra  nenhuma, é porque diferente do formado no curso de negócios, que muitas vezes não sabe preencher uma nota fiscal, o engenheiro vem do "grind". Mão suja de graxa ou fuligem e alguma experiência em áreas-chave como quase-peão.

Ver pedreiros, marceneiros e pintores sempre com trabalho com ou sem crise, enquanto meus pais, ambos com duas faculdades passaram FOME pra criar os filhos (também com fome) me leva a pensar em que grau a teoria ajuda  a prática quando o assunto é ganhar dinheiro, e que tipo de teoria é importante e que tipo é puro lixo colocado nas grades curriculares pra sugar mas dinheiro das pessoas e sustentar o sistema de ensino.

Aqui em Portugal conheci esse pessoal de construção que se legalizou através do trabalho ou mesmo está em situação questionável, mas trabalhando desde a primeira semana e fazendo de 1000 a 3000 Euros por mês. Eu repito, de mil a três mil euros por mês como empreiteiro ou empregado e trazendo à sua família uma qualidade de vida que 1% dos que conheci na vida podem ter no Brasil.

Hey, não estou dizendo que ninguém tem vida fácil. Mas enquanto nós bobocas trazemos o diplominha que ninguém da bola da "uniesquerda" na mala, pra ficar meses desempregado ou se sujeitar a trabalhar em merdas, esses caras arrumam emprego em qualquer lugar do planeta terra sem exceção.

Pra finalizar não estou dizendo pra você se tornar pedreiro, mas não vislumbre uma carreira de sucesso em uma área de gestão se não estiver disposto a ralar na parte técnica de sua área. Em outras palavras se você quiser gerir projetos de TI, esteja disposto (e tenha capacidade) de aprender a programar relativamente bem. Se quiser ser diretor da concessionária de máquinas agrícolas, é bom aprender a vender, dirigir e identificar as peças do trator e fazer isso muito bem. Se quiser ser âncora do telejornal, é bom saber ligar a câmera e editar video muito bem pra conseguir se manter em contato com quem tem sucesso na área, pois você não vai simplesmente pular de auxiliar administrativo na empresa de pneus pra apresentador de telejornal.

Ter noção do nível de empregabilidade e de progressão na carreira escolhida é uma mão na roda, e escolhendo um ramo técnico e prático a chance de se fazer dinheiro é bem maior pro mediano que num ramo mais intelectual. Nada, absolutamente nada impede o mecânico de carros de abrir seu negócio ou de mexer com carros aqui na Europa ganhando em Euro. Porém um abismo impede o gestor de manter seu emprego durante a crise, longe de casa e com total independência.



sexta-feira, 24 de março de 2017

Novidades da loja do CF

Sabem aquele cliché de que, você "não pega" ninguém, mas quando você arruma uma namorada a mulherada toda fica de olho em você? Ou você está desempregado e não encontra nada, principalmente que pague bem, mas assim que assina um contrato aparecem oportunidades melhores?
 
Há quem diga que isso é uma lei da vida, tamanha diferença de percepção da realidade.
 
Eu deixei de ser cético em relação a muita coisa esotérica (também porque extremistas são insuportáveis). O poder do "pensamento positivo" opera milagres. Fácil demonstrar. Faça em um papel, uma lista com as 10 pessoas mais negativas que conhece de um lado e as 10 mais positivas de outro e compare seus feitos e mesmo patrimônio.
 
Certas sutilezas que dificilmente entram na equação quando se analisa o sucesso de alguém, talvez sejam o que mais tem influência nos seus resultados. Não fosse assim, QI alto ou "quilometragem" de estudo era sinônimo de salário alto. Nem mesmo no setor público é assim.
 
Eu sempre digo para se expor à sorte. O acaso está ai pairando no vácuo. Qualquer um pode levar uma bala perdida, mas no Rio de Janeiro você aumenta em muito suas chances (não é a isso que eu quero que as pessoas se exponham). Assim fica na cara que para se obter sucesso em determinada atividade você deve em primeiro lugar se relacionar com quem tem sucesso naquele campo, independente de qualquer outro fator.
 
Acredito que se deva prestar atenção em quatro coisas:
 
1. Analisar as perspectivas;
2. Ter metas fáceis, curtas e claras;
3. Estudar e trabalhar duro para cumprir as metas.
4. Certa dose de coragem e persistência.
 
Aqui na loja estamos passando por aquele período ruim em que a maioria das empresas fecha as portas, o início. No início você paga mais caro pra aprender, pois tem que manter a empresa na estrada mas tem um matagal encobrindo ela. O matagal é o desconhecimento de processos, dos fornecedores, da demanda, a grana limitada, etc.
 
Infelizmente não venho de uma área técnica, em que se pode ir pra qualquer lugar do mundo e arrumar emprego na primeira semana. Sou da área da bunda na cadeira e nada na carteira, mas após um ano em outro país as coisas vão se ajeitando e as perspectivas melhorando.
 
Mesmo aqui atrás do balcão me oferecem oportunidades de emprego, daquelas que ninguém anuncia nos sites especializados, aliás li não lembro onde que apenas uma em dez vagas é anunciada (provavelmente pra os empregos que serve quase qualquer um). Com salários maiores que recebo, menos trabalho e responsabilidade (fico 11h por dia na loja).
 
Bem amigos, estão surgindo pessoas interessadas em comprar nossa loja e isso me deixa feliz. Achei que isso não era tão comum, mas ao que me parece as pessoas não querem todo o incomodo de abrir uma empresa, encontrar os fornecedores certos, reformar o local, etc.
 
Isso é até lógico. O ser humano quer o maior retorno pelo menor trabalho possível. Vamos ver o que acontece nos próximos capítulos.
 
 
 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Os problemas de comprar um imóvel em Portugal

Bom dia amigos, hoje lhes trago mais um post sobre minhas percepções a respeito deste país que escolhi para viver. Espero que gostem, notem que em tudo existe exceção, e que essas são apenas minhas opiniões. Tudo é a título de curiosidade e não deve ser lido com tom de indignação.
 
Portugal... Um lindo país com muita história e beleza. Segurança, transporte e custo de vida baixo. Alguns desastres naturais de vez em quando, mas aparentemente tudo bem. O lugar perfeito para viver, não?
 
Poderia ser, mas não é. Nenhum é, como sabemos, mas para não ser considerado apenas uma "colônia de férias", respeito à propriedade privada é vital, coisa que não parece existir aqui quando o assunto são imóveis.
 
Já pensei em comprar um imóvel aqui no futuro, daqueles muitos numa pequena cidade perto da praia pra que "a mulher plante flores para alegrar o coração" (Homem Mais Rico da Babilônia), mas enquanto a situação não mudar de maneira drástica, não irei.
 
Vou falar de duas questões relativas a este que considero o melhor ativo real de todos, junto à empresas lucrativas. Comprar pra morar, e comprar para alugar.
 
Comprar pra morar automaticamente torna o imóvel um passivo, pois o dinheiro investido deixa de por rendimento no seu bolso. Pode ter todos os benefícios do mundo, mas em essência continua um passivo. Pode ser um passivo menor que pagar aluguel, uma vez que ele for seu, mas continua um passivo.
 
Eu quero ter uma casa como propriedade da minha família um dia, mas em primeiro lugar, não vale a pena adquirir um imóvel de aluguel aqui. A renda paga é muito baixa, e não é este o problema principal, e sim não poder corrigir esse valor de maneira suficiente ao correr dos anos, se ele estiver arrendado nos termos antigos. Tem gente que paga 200 Euros ou menos ou menos por locais comerciais onde a renda poderia ser tranquilamente 2 mil Euros. Isso mesmo, o valor não muda nunca, e muita gente vai se aproveitar disso pro resto da vida.
 
Quanto aos novos contratos, até podem ser denunciados e tem prazos menores, mas também em geral não vale a pena pois tem muito imóvel vazio (economia ruim) então o senhorio quase nunca vai tentar renegociar, ou o arrendatário vai embora, e ai fica à mercê da correção que o índice do governo sugere, mas ele nunca é aplicado pois é tão baixo que não vale o trabalho de se mudar o contrato.
 
Muitos imóveis são herdados, e geração após geração da família vive nele (verdadeiras fortalezas de pedra) e por isso seus donos os alugam para outras famílias e as caves para pequenos negócios - geralmente administrados por quem já é reformado e não depende da empresa para viver.
 
Porém observo que esta opção de investimento é, na verdade, a falta de opção por algo melhor. Já que você tem o imóvel vazio, o aluga. Mas e quem recebe um imóvel em ruínas, como é o caso de centenas de milhares espalhados pelo país? Faz o que? Gasta milhares de Euros para renovar e alugar por uma merreca? Por isso as cidades portuguesas tem essa aparência decrépita e miserável, ainda que conserve a imponência de outras épocas principalmente nos prédios públicos e de famílias importantes (geralmente empresários).
 
Os prédios modernos todos tem a arquitetura comunista de Brasília, tornando a área extremamente feia pelo contraste do moderno-comunista com o antigo-ruína.
 
É bem verdade que o setor de construção civil é o último a ruir e Portugal está eternamente em restauro, mas muitos imóveis destruídos em áreas excelentes e super valorizadas nunca vão ser renovados, pois o custo não compensa. Imagine lá você, que faz seus 1000 Euros ao mês, herda junto aos 3 irmãos um prédio que precisa de 200 mil Euros para reformar. Um dos seus irmãos mora na França a 20 anos. Outro tem bastante dinheiro portanto não se importa em flipar este negócio. Sua irmã não tem um centavo pois também tem 4 filhos e é dona de casa. Fazer o que com o prédio? Deixa lá todo ferrado... Uma lástima.
 
Ai você pensa que vale a pena sim, reformar para vender. Bem, no site desta empresa de investimentos imobiliários explicam um pouco a respeito das taxas e impostos. 25% da renda, 25% da "mais valia"... Pro governo que não fez nada.
 
Uma dessas consultorias de investimentos faz até artigos sobre alugar o apto. no Airbnb como alternativa pra lucrar um pouco a mais. Que desespero! Conheci um cara que aluga dois apartamentos para turistas pelo serviço e lucra bem. Segundo ele, tira € 900,00 mensal em um apartamento que renderia € 400,00 normalmente. Mas quem vai comprar um apartamento para alugar através do Air-bnb, o qual já está sendo vítima de discussão por, apesar do dono poder alugar como quiser seu imóvel, os vizinhos reclamam por chegar gente estranha no prédio de madrugada, fazer barulhos com malas e tudo mais. Pra quem for fazer isso sugiro estudar bastante o ambiente jurídico.
 
Ok, e comprar pra viver?
 
Uma coisa que me incomoda muito aqui são as casas e prédios serem colados uns nos outros. Comprar algo caro como uma casa tem que ter como principal atributo lhe dar paz, ou você estará preso em algo de baixa liquidez e totalmente ferrado. Se seus vizinhos forem ruins? E se o prédio deles colado ao seu estiver podre e cheio de infiltrações?
 
Outra coisa é que não tem garagem, portanto os carros ficam amontoados nas calçadas e até estacionados no meio da rua e nas esquinas. Para mim isso é chato pois tenho que desviar dos carros na calçada e pisar nas bostas de cachorro (parece ser costume aqui levar o cachorro pra cagar e não catar os dejetos).
 
 
 
 
Mas vai além. Aqui imóvel não é seu, e sim do estado. Vejam estes impostos. Idade e localização (não que IPTU não seja variável no Brasil também, ou seja, ao invés de deixar as pessoas escolherem onde é melhor morar, o estado te cobra mais por onde ele escolhe ser melhor. Como as pessoas foram coniventes com isso por décadas, finalmente se chegou ao extremo e cobrar mais de onde o burocrata disser que pega mais sol. Isso mesmo, Portugal privatizou o sol e agora paga mais aquele em que a casa receber mais raios solares.
 
Apesar de eu rir disso, vi um senhor meses atrás chorando na televisão por este absurdo.
 
Como encontramos uma casa espaçosa, desafogada (sem nada atrás nem na frente, pega mais sol e vento), renovada, perto de tudo e barata, vamos ficar anos lá.
 
A verdade é que quanto menos capitalismo mais se formam castas na sociedade. Observem que essas regras estimulam três tipos de pessoas: Os ricos ligados ao estado, as famílias herdeiras, e o proletário que não consegue subir na vida nunca. Impostos, impostos, impostos. Foi assim que Marx disse que ia acabar com a propriedade privada.
 
Depois desta análise passo a concordar com o que o Mestre dos Dividendos comentou em um dos meus últimos posts: "A verdade é que Europa para mim apenas para turismo!". Pra mim também. Onde eu não tenho como fixar uma casa, estou de "férias". E como o Brasil é perigoso demais, sigo flutuando por ai.
 
Abraço!
 

domingo, 19 de março de 2017

Comer rezar e amar - filme do mês

Farei um breve review deste que é provavelmente o pior filme que assisti nos últimos anos, e de certo modo me parece que seu sucesso é proporcional ao nível de alienação da realidade que as pessoas vivem.

Dá pra dizer que o filme (provavelmente baseado em um livro pra donas de casa frustradas) é uma peça de desinformação, pois se alguém comum (vulgo quebrado) fizer o que a protagonista faz, vai destruir sua vida financeira e prejudicar outros aspectos da vida tamanha mesquinhez e egoísmo.

A obra segue aquela fórmula das novelas brasileiras que mostra a exceção como se fosse a regra. A palavra dinheiro não é mencionada no filme uma unica vez, e isso é estranho uma  vez que as atitudes tomadas pela Julia Roberts exigiriam bastante recurso.

Tem um blogueiro por aqui na finansfera que prega uma vida parecida, bebendo leite de texugo com índios tibetanos e tem seu saco puxado por isso, vai entender.

A protagonista resolve largar uma carreira estressante de sucesso na  cidade grande para se reencontrar espiritualmente. Até aí tudo bem, não adianta nada levar uma vida ruim pelo motivo errado. A partir de então ela vai viver no "paraíso bucólico" da Itália, interagindo com pessoas estereotipadas e enfrentando "first world problems". Lá acha um namorado novo bonitão e jovem e  acho que casa com ele.

Depois de pouco tempo se enche dessa vida, larga o cara sem muita explicação e volta pra Nova York. Novamente se sente confusa e parte pra Índia em uma nova viagem em busca de iluminação espiritual e se mete em confusões e trapalhadas ridículas com personagens estereótipos. Acho que não casa com ninguém na India mas não tenho certeza. Sei que volta pra Nova York, é perdoada por ter largado o primeiro marido, e depois de um tempo o larga denovo, partindo para uma terceira viagem espiritual em Bali, onde conhece um coroa brasileiro bonitão curtidor de bossa nova e resolve casar com ele também (enquanto enfrenta mais first world problems em um paraíso tropical).

As lições dos gurus são ridículas.

Depois de um tempo adivinhem, larga o cara de coração quebrado.

Não lembro do final mas não importa. Sei que tentaram passar uma lição de que a vida só vale a pena sendo um couch surfer descolado que não se importa com dinheiro (por ter muito) nem com sentimentos dos outros.

Existem essencialmente três tipos de personagens: a mulher que "está certa em buscar paz e felicidade" sem se importar com ninguém;
Os caras bonitões manginas ricos e legais que terão seu coração esmagado;
Os favelados felizes e trapalhões.

Pior que assisti isso no cinema com minha mãe e esposa, e achei que não ia fazer sucesso algum, mas fez.

Provavelmente o leitor do meu blog sentiria raiva assistindo ao filme, portanto fique longe dele. Melhor ir ver o filme do Pelé.

quarta-feira, 15 de março de 2017

O fim dos sindicatos no Brasil?

Estou um pouco por fora do que tem ocorrido no Brasil mas fiquei sabendo que a CUT promoveu uma greve geral no país, prejudicando quem trabalha de verdade.

Melhor série de TV da história

A resposta do prefeito Dória, de SP, foi interessante, cobrar uma multa milionária desses vadios por prejudicar o setor de transportes. Muito bom... Vamos ver se dá certo. A população brasileira não pode ser refém das máfias sindicais que dominam a América Latina a tanto tempo.

Temos uma boa perspectiva para empregados e empresários, no caso quem gera riqueza para o país, ao contrário de políticos e sindicalistas.

A contribuição sindical obrigatória deve acabar em breve. Você tem noção do que isso representa? Um passo largo em direção ao capitalismo, meus amigos. Vamos torcer.

E espero que esses vadios comunistas sejam reprimidos duramente daqui pra frente. O Dória tem sido um excelente exemplo pro resto dos politicos do Brasil... Tatcher way. Certamente um dia será presidente do nosso barco furado. E se continuar assim já está bom.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Formação profissional dos filhos parte 2

Para finalizar meu post anterior, trago alguns conceitos importantes que quanto mais cedo forem compreendidos melhor.
 
Sabemos que o que gera valor não é necessariamente trabalho por si só, mas trabalho qualificado, que supra necessidades dos outros. Mas também não adianta ficar nessa e se super qualificar. Como vocês sabem eu acho ensino formal uma grande bobagem salvo exceções, e por isso além de buscar qualificar seu trabalho e especializa-lo, aprender a trabalhar duro é uma coisa que nossa sociedade tem esquecido. Não me importa se você trabalha duro e é pobre. Trabalhar duro não deixa rico, mas se não tiver compreendido que vai ter que trabalhar que nem um condenado pelos próximos 50 anos ao invés de se vitimizar, vai ser pior ainda. Apesar das críticas o melhor modo de se aprender isso é trabalhando e recebendo remunerações desde cedo, como disse no outro artigo.
 
Amar trabalhar, pelas recompensas que trabalhar MAIS dão, é geralmente uma característica de gente que cresceu sem nada e através do suor cresceu na vida, e falta em quem foi mimado e protegido.
 
Junto à essa ética é importante desenvolver uma visão de quem quer ser na vida. Fazendo isso você direciona esse trabalho duro e se especializa no que interessa. Essas duas duas coisas parecem banais, mas quem que você conhece que tem uma visão de quem quer se tornar?
 
Desde jovem, ao invés de aprender, aprender, estudar, etc, a pessoa tem que desenvolver a compreensão de que é necessário estudar coisas úteis, e dividir seus objetivos em metas de curto prazo. Assim que se completa as coisas. Pessoas importantes e ricas são "goal orieted". Elas não "jogam" a vida por jogar, mas pra marcar gols. Portanto, de preferência deve-se desenvolver o hábito de anotar o que se quer e como realizar o que se quer.
 
 
anotações
 
 
Se espera que com isso os filhos aprendam a poupar e a investir, afinal investir é alocar recursos afim de se atingir determinado objetivo. Sejam estes recursos tempo, trabalho, dinheiro, etc.
 
Durante a vida deve ser ensinado um senso de que o mundo é nossa casa e não só a casa dos pais e o carpete da vovó. Esse aprendizado geralmente é difícil para alguns pais também, que tentam compensar a decadência de suas vidas ampliando ao máximo o controle, buscando impingir na mente dos filhos que sem ele, a vida vai ser um inferno ou até impossível.
 
 
Ir pra onde tiver trabalho
 
Isso é extremamente prejudicial no mundo atual, onde o senso de comunidade está desaparecendo e a maioria não vai ser ajudada por ninguém (além de simplesmente com grana dos pais) ficando no conforto do lar e de sua pequena cidade. Deve-se ir para onde tem trabalho... Seja em outra cidade, estado ou até país. Isso quase sempre significa ir para uma cidade grande, até porque você faz faculdade pra que? Em tese pra suprir a necessidade do mercado e ganhar mais dinheiro.
 
Sobre comunidade, é importante procurar uma que valha a pena ajudar a crescer e a se desenvolver. Dar algo em troca. Encontrar um bairro onde valha a pena catar o lixo do chão, uma igreja ou instituição que valha a pena doar seu tempo ou grana, que tenha gente que valha a pena ajudar e se relacionar. Isso é uma das coisas mais importantes da vida e trás benefícios escondidos e respeito.
 
A quantidade de cursos universitários no meu estado é absurda e a indústria não absorve... Onde mais se tem chance é nas grandes cidades do país ou em algumas onde tenha o mercado específico para sua formação. Levar isso em conta antes de escolher a carreira é tão importante quanto a média salarial e os gostos individuais. Eu perdi muitas oportunidades no interior. Meus pais, tios, todo mundo que conheço.
 
Não estou falando de qualidade de vida mas de dinheiro. Não tem indústria em cidade pequena, nem comércio, nada. Só subsistência. Existem exceções e se elas lhe servirem, aproveite.
 
 
levando a casa nas costas
 
 
Por outro lado...
 
A questão de usar sinergia é bastante importante no começo. Usar os esforços dos pais em conjunto com os seus. Subir na carreira como se fosse uma escada. Acumular patrimônio ao invés de só gastar. Isso quase sempre é mais importante que ricochetear de um emprego à outro, de uma cidade à outra, e ter que recomeçar seus contatos, amigos, pagar multas em contratos e gastar em mudança.
 
Eu fiz bastante isso e a geração atual parece estar fazendo mais ainda. Se não for pra se qualificar e ganhar mais dinheiro, tem que prestar atenção neste ponto. O custo das mudanças e das escolhas não-sinérgicas pesa no orçamento.
 
O Warren Buffet fala sobre isso quando diz que, se ao invés de começar com dívidas e pagando juros em tudo, você começar com algum dinheiro e poupar sempre uma parte do dinheiro que produzir, a diferença vai ser brutal. A gente sabe muito bem que herança não é tudo, mas ajuda.
 
Um exemplo de ação sinérgica é escolher a mesma profissão dos pais quando esta for lucrativa. Quantos filhos de médico que você conhece optam por outro ramo, tendo todo o conhecimento, contatos ou uma clínica em casa?
 

Ou ainda, muitos pais optam por comprar um imóvel onde o filho provavelmente vá cursar faculdade, otimizando custos.
 
No meu outro post falei em essência sobre sinergia sobre começar a trabalhar desde cedo. Recrutadores querem quem já tem experiência mesmo para um simples estágio, por isso ter servido ao exército, ter cursos e já ter feito alguma coisa vão ajudar.
 
 
Ambiente Caótico
 
O que se aprende em ambiente controlado não é o principal objetivo na vida e deve ser visto como complemento apenas. Bodibuilders levantam peso absurdo e exibem corpos fodas, mas apanham na rua de quem é treinado e um ambiente descontrolado. Quantos milhões de administradores quebrariam uma empresa em alguns meses se lhes dessem a chance de administrar um negócio só com o que aprenderam na faculdade? Praticamente todos. Ensinar que o sucesso não está nos métodos encaixotados e que eles são apenas conhecimento extra é importante, e difícil, porque a gente tem medo de dizer "escola não serve pra nada" pra um filho e ter como efeito ele desdenhar dos estudos, por exemplo.
 
O ser humano que aprender a não ter medo de falhar, não ter medo do mundo, vai certamente chegar mais longe. Penso que dar conforto demais pros filhos é um erro. Se a pessoa souber perder, e mesmo assim for extremamente competitiva pode crer que vai mais longe.
 
Como extra, prover muitos e muitos e muitos livros, provocar discussões e não deixar ser um viciado em internet (como antes foi a televisão) vai ser um dos maiores desafios para os próximos pais.