sexta-feira, 19 de maio de 2017

Preço importa?

Com os últimos acontecimentos da política brasileira que impactaram fortemente nos preços dos ativos listados na Bovespa, discussões sobre preço e "Filosofia Bastter" voltaram ao topo na blogosfera. Vou dar minha impressão sobre isso em não muitas palavras.
 
Este texto, assim como tudo o que escrevo neste blog, NÃO É RECOMENDAÇÃO. Não sou profissional de investimentos e o que escrevo aqui são apenas minhas reflexões e opiniões pessoais e servem apenas para mim. Não me responsabilizo por decisões dos outros.
 
Preço importa pra quem faz trade de valor, ou seja qual for o tipo de trade. Preço importa pra quem vai fazer uma compra grande de ações, afinal nisto se comparam os ativos pra comprar o que se supõe estar com o a relação preço/valor mais baixo. Preço importa pra quem faz relativamente poucas compras. Preço importa pra quem prefere diversificar pouco e buscar margens de lucro maiores, a um risco maior. Preço importa pra quem tem tempo pra estudar bem os ativos. Preço importa pra quem se aprofunda em valuation.
 
Preço "não importa" pra quem faz compras mensais, pequenas. Preço não importa pra quem apenas quer investir e ser sócio de empresas saudáveis que dão lucro, de modo diversificado. Preço não importa pra sardinha que aporta migalhas. Preço não importa pra quem não tem tempo pra ficar estudando empresas de maneira exaustiva, porém opta por eliminar as porcarias através de poucos indicadores.
 
Em "não importa", quer dizer que, para o pequeno investidor amador, é mais importante eliminar as porcarias através de um "filtro" de indicadores básico (cada um cria seus critérios), aportar mensalmente o $ que sobra, e trabalhar e desenvolver-se mais em sua atividade, pois isto invariavelmente aumentará mais seu patrimônio que fazendo escolhas excelentes com seu pequeno aporte.
 
Para o pequeno investidor vale mais a pena aportar mensalmente no que tiver valor do que tentar acertar quais são os melhores ativos para manter seu dinheiro. Tenho certeza disso, por mais que surjam exemplos pontuais mais esdrúxulos a lá "empiri..." de como o correto seria entrar e sair no momento certo.
 
Por fim só queria falar uma coisa sobre o Bastter.
 
Vejo muita gente criticando o cara de um modo bem mal-educado, dizendo que só é rico por ser médico e tudo mais. Bem, eu aprendi muito com os vídeos dele, e considero seu livro "Eu Quero Ser Rico!" o melhor livro de educação financeira já escrito no Brasil.
 
Sobre a opinião dele de preço não importar, vi diversas vezes o mesmo falando que o investidor pode e deve estudar mais valuation e desenvolver seu método para fazer compras melhores, mas denovo, para o pequeno investidor amador, vale mais a pena aportar mensalmente em valor diversificado e TRABALHAR para fazer mais dinheiro ao invés de perder muito tempo no home broker.
 
Isso é bastante óbvio.
 
O cara já demonstrou isso com uma caralhada de exemplos e estudos.
 
Não faço parte do "grupo religioso" de chatos que dominou o fórum dele e fica repetindo os mantras bastterianos. Porém ele está simplesmente certo.
 
Se eu me concentrar em tornar-me mais eficiente e em trabalhar mais, pra sobrar 2 mil reais no fim do mês ao invés de 1 mil, "cuidar da família" e gastar meu tempo em esportes e lendo um livro, vou acabar com muito mais patrimônio que se ficasse estudando valuation para fazer melhores escolhas de onde por o 1 mil que sobra. Se este não é seu caso, ótimo.
 
Preço IMPORTA. Mas pra mim não tanto.
 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Bem Vindos à Era da Esterilidade (guest post)

Boa noite amigos, hoje inauguro aqui no Blog a seção dos posts de convidados. Um amigo da vida real, que quis se identificar como Barão de Eschwege escreveu um excelente artigo que tem tudo a ver com o momento atual da minha própria vida, pois eu decidi abandonar minha profissão e tornar-me um carpinteiro - fiquem ligados.
 
 
 Bem Vindos à Era da Esterilidade
Barão de Eschwege
 

Trabalhei durante anos com publicidade online, sempre senti uma inquietação, mas não sabia o que era, até que após meses desiludido com a carreira, fui demitido. O que foi excelente. Há 10 anos querendo viajar e morar fora, com uma certa quantia na conta, resolvi fazer isso e comprei uma passagem para 3 meses a partir dali. Nesse período me interessei por carpintaria, e como meu avô sempre trabalhou com isso, resolvi pedir para ele me ensinar o básico do ofício. Aí que estava o problema e finalmente entendi a minha frustração com a antiga carreira.

Em poucas palavras: Não era real! Nada do que eu fazia era real, eram coisas feitas no computador e que lá ficariam.

Isso tudo me fez pensar sobre a frustração, ansiedade e outros problemas que o mundo digital nos traz, o que me trouxe até esta conclusão: vivemos em uma era de esterilização.

Não sei dizer que convergência ou forças nos movem para esse caminho além do que pode se ler nos livros de história sobre revolução industrial e o que vem a partir disso, mas é um sentimento de que algo acontece sem que nos demos conta. Uma morte silenciosa, como um animal colocado em água fria numa panela à ferver.

O avanço da tecnologia, tirando obviamente todos os seus benefícios, traz consigo um outro lado: A digitalização e o afastamento do físico, do palpável. As pessoas estão desaparecendo como espíritos presentes, seja para o mundo, seja para o seu circulo íntimo de pessoas.

A arquitetura há muito tempo é pobre, decoração pobre com seus visuais clean, as pessoas tiram cada vez mais e mais fotos mas quase ninguém as imprime, ouvem músicas no Youtube ou Spotify, anotam seus recados no Evernote, OneNote etc, assistem filmes pela Netflix, leem livros no kindle e por aí vai.

Não estou dizendo para deixar de usar estes recursos, que são ótimos e que eu particularmente uso todos os dias, só falo para usar com moderação, não deixando que isso engula a sua vida.

Posso dizer com segurança que muitas pessoas se morressem hoje, suas memórias mal preencheriam uma caixinha de papelão. Você morre, praticamente recolhem as roupas e escova de dentes na sua casa e já está pronto para qualquer um ocupar aquele espaço como se você nunca tivesse existido. Hoje em dia tudo é descartável, até relacionamentos e pessoas!
 
 
Kindle é legal e prático, mas de quem é isso aqui?
 
A morte é um processo não só para quem morre, mas para os que estão ao seu redor também, e julgo ser importantíssimo deixar um impacto no mundo e na vida das pessoas. Deixar lembranças.

É legal que algum ente ou amigo, que após a sua passagem vá recolher as suas coisas, seja para vender, doar, guardar para si, consiga enxergar você no lugar onde você viveu. Livros, álbuns, souvenires, filmes, decoração... É parte da experiência de passar por este mundo. Preserve amizades. Conheço gente que muda totalmente o círculo de amigos a cada seis meses.

Veja bem, não estou dizendo para sair comprando desenfreadamente coisas para entulhar na sua casa de tralhas, isso é consumismo. Compre apenas o que julgar necessário e de preferência coisas que carreguem uma história e pessoas na sua compra. Evite coisas descartáveis, pense como se pensava até uns 100 anos atrás e dê preferência para coisas que foram feitas para durar.
 
 
 
Durável, personalizado


Se possível, faça você mesmo. Aprenda um hobby/ofício que te dê dinheiro. Trabalho artesanal com madeira, couro, metal. Você pode fazer coisas que durarão 100 anos ou mais, para você mesmo, para presentear pessoas que você gosta, para desestressar ou até ganhar uns trocados. Quem sabe, até mudar de profissão?

Você estará deixando a sua marca no mundo, nas vidas das pessoas e até mesmo fazendo um favor ao meio ambiente.
   
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O que o Eschwege escreveu me lembrou um pouco a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, mas não tem nada de Marxismo ai. Apenas um pouco do desespero que a desumanização que a vida moderna nos impõe. Vocês que acompanham o blog sabem que sou a favor de você produzir, ser prático e aprender todos os dias coisas úteis. No fim não se trata de dinheiro, e sim de que se você não fizer isso, só estará esperando para morrer.
 
Em breve minha mulher vai escrever sobre suas impressões da sua estadia na Itália, de quando esperava o fim de seu processo de cidadania.
 
 

sábado, 13 de maio de 2017

O papa argentino e o Grinch

Post rápido, sem enrolar com o que quase todo mundo sabe que anda acontecendo no mundo.
 
Em uma realidade onde o ateísmo baseado em cientificismo, niilismo e estímulo à condutas revolucionárias, além da ameaça do islã, o papa Francisco tem prestado enormes desserviços à Igreja Católica (e ao mundo livre), instituição que já salvou a civilização da escravidão tantas vezes.
 
Hoje ele está em Portugal por ocasião da romaria onde os fieis afirmam que Fátima apareceu para duas crianças como milagre. Como não podia deixar de ser, aproveitando o palanque político ante uma multidão de pessoas sem muito discernimento sobre certas opiniões, ele aproveitou para disparar diversas das suas esquerdices.
 
(link)
 
Este papa segue, de um modo ou de outro, a teologia da libertação. Ideologia latino-americana desenvolvida dentro da igreja com cunho comunista. A ideia desta gente é acusar a disparidade entre os homens como causa do sofrimento e retratar jesus como uma espécie de mártir socialista.
 
Ao pregar que a instituição católica deve ser pobre, e a favor da livre imigração de terroristas islâmicos (inimigos declarados da liberdade religiosa), o papa pode até preencher o ego dos admiradores da doutrina do ciúmes, mas acaba por enfraquecer cada vez mais o poder político da Igreja frente às relações de poder que se apresentam na atualidade.
 
Lembro de uma crítica ao conto de natal do Grinch que ouvi certa vez, dizendo que o mesmo ao se arrepender no final, ajudou todo mundo, deu presentes e etc, mas só pode fazê-lo por ser uma pessoa rica. Caso contrário seria apenas um pobre arrependido que não ia poder fazer muito pelos outros.
 
 
 
 
Não é hoje nem amanhã que a Igreja Católica vai ser destruída, mas provavelmente pouco a pouco através das próximas décadas, infiltrada e corroída por dentro por pessoas de moral duvidosa.

Deixa eu dizer uma coisa sobre "ser pobre nos meios e rica no amor". A despeito do mau ambiente que cresci, minha família era assim, e lhes garanto, não se chega muito longe num ambiente assim.

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os concursos públicos que prestei

Olá amigos, hoje vou contar sobre os concursos públicos que prestei durante a vida. Foram três, a contra-gosto pois  desde bastante tempo tenho aversão ao estado e ao funcionalismo público, mas estava tão na merda que vi os concursos como alternativa para ganhar um salário melhor e poder poupar.

Tenho um grande amigo que desde o começo da faculdade era estimulado a estudar para concursos e tem facilidade incrível para decoreba. Isto o levou a passar em um concurso anos atrás de auxiliar de qualquer coisa que lhe dava 1600 reais quando meu estágio pagava apenas R$ 330,00. Isso não me impressionava pois na época eu estava atrás de uma carreira e não de dinheiro. Minha vida estava relativamente fácil e a do amigo difícil. Acordava as 5 da manhã e viajava uma hora para trabalhar no seu cargo sem fururo.

Mais tarde ele usou de sua força de vontade e aproveitou que o governo do PT criava vagas em órgãos públicos todos os dias, e passou em outro que pagava R$ 2300,00 num órgão que defende o estado e processa empresas (muitas sacanagens do estado sei de primeira mão através de amigos funças). Na época era um bom salário que lhe proporcionava uma vida pujante pois ainda morávamos com os pais.

Isso também não me impressionava. Meus planos eram fazer intercâmbio e MBA e desenvolver-me ao máximo em minha carreira. Assim, terminei a faculdade e parti em busca de meus planos.

Ao retornar do exterior, só consegui empregos merda (não que eu não saiba que eles são a regra e não a exceção) e aquilo foi me cansando. Trabalhava como louco, viajei pra varios lugares atrás de empregos melhores e minha vida financeira não melhorava em nada.

Competir com funcionários públicos no Brasil é um jogo desleal, pois eles são uma casta favorecida como todos sabemos.

Como nunca quis tornar-me um, resolvi aproveitar que pedi demissão do trabalho no hotel (leia aqui) e testar-me na prova do Banco do Brasil que é fácil e não exigiria que eu me tornasse um "concurseiro" (o que considero um atestado de fracasso).

Estudei por quase dois meses e fiquei bem colocado na prova. Gostei do conteúdo, pois quase tudo eu já conhecia e aprendi alguns conceitos sobre o sistema financeiro. Feliz ou infelizmente não fui chamado, e decidi que a ideia de seguir trabalhando e prestando concursos para bancos e cargos com requisito segundo grau seriam um bom caminho para mim, pois se passasse e eventualmente fosse chamado, poderia decidir se aceitava ou não. 

Nesta época meu amigo já tinha passado em seu terceiro concurso, para um órgão público que muita gente almeja e acha ser bom trabalhar, o da pirâmide financeira. Segundo o que sei as condições são ruins, as fraudes e perigo de cometer erros e se dar mal também. Apesar disso tudo, haviam bons benefícios e o salário era legal a ponto de considerarmos esse amigo "aposentado" pois ia lá embaralhar papel 6h por dia e depois estava livre pra curtir seus 4k por mês.

Surgiu outro concurso do BB e tirei praticamente a mesma nota mesmo sem ter estudado muito. Logo depois prestei um da previdência social. O salário era muito bom, cerca de 6k por mês e tinha inglês na prova pra reprovar a concorrência. Considero que fui bem na prova mas também não fui chamado.

Minha conclusão disso tudo foi que eu deveria tornar-me um concurseiro caso quisesse passar nas provas em uma boa colocação, ao invés de ficar batendo na trave.

Tive a sorte de arrumar um bom emprego nessa época que me permitia aportar e investir em terrenos. Logo depois casei-me com minha mulher e nossos salários possibilitaram que nossa vida ficasse melhor, sem a necessidade de estudar para um concurso público.

É muito provável que se eu tivesse passado no do BB estivesse lá até hoje. O salário eram 1800 reais + 800 de vale alimentação. Com isso e a segurança do cargo provavelmente eu teria comprado um apartamento e tido um filho, ficando lá preso pra sempre. O bom desse tipo de cargo é que alguém esperto pode usá-lo de trampolim para concursos, ou oportunidades melhores. Pense nisso.

Apenas a título de curiosidade, esse meu amigo largou seu emprego para abrir sua própria empresa e se deu muito bem. Admiro muito a coragem. Ser corajoso é uma característica rara. Contei sua história para chegarmos a uma conclusão.

Agora que a fonte secou e o PT quebrou o Brasil com tantos funcionários públicos blindados e cheios de benefícios, apenas um seleto grupo de concurseiros profissionais mais espertos e com tranquilidade financeira tem chances de passar. Nada mais de aventureiros.

Mesmo assim, acho sensato prestar concursos em áreas que você se identifique, desde a idade que seja possível. Não estou recomendando que você mate seus sonhos e se torne um burocrata inútil na engrenagem estatal, mas ser financiado pelo estado quando jovem pode lhe colocar muitos kilometros à frente enquanto você persegue seus sonhos nas horas vagas.

Não adianta só dar dinheiro para a indústria do concurso público que se desenvolveu no Brasil, junto à gurus de estudo sabichões do sucesso, mas reservar uma grana para estudos e para a inscrição pode sim ser visto como interessante para um Capital Alocado à Risco.

Caso você passe e seja chamado em até dois anos, pode fazer um balanço de sua vida profissional e decidir se pega o emprego por um tempo, até achar algo melhor.

domingo, 7 de maio de 2017

Transformar um real em dois

Transformar um dólar em dois é um dos principais motto dos ricos dos USA. Todos os gurus financeiros que sigo usam o termo, que consiste em fazer com que cada nota de dólar que entra no seu bolso se transforme em dois após um tempo, ao invés de transformá-lo em zero gastando-o. Ao contrário do que se pode pensar num primeiro momento, transformar um real em dois não envolve truques de mágica, golpes, nem tampouco um intelecto superior, e sim na poupança e investimento em empreitadas lucrativas.

Sempre pense em poupar religiosamente uma parte de todo valor que entrar no seu bolso, e a seguir em transformar esse valor em seu dobro ou triplo, dependendo do estilo de vida que deseja levar.

Uma dica simples e efetiva é: guarde todo o dinheiro que gastaria em coisas inúteis, fúteis e vícios, e invista.

Cada real que você fizer trabalhando, tem de virar dois obrigatoriamente. Isso devia ser matéria de escola primária, uma vez que você gasta (transforma em zero) uma parte de sua renda apenas para sobreviver.

O processo é este:
Nunca gaste mais do que ganha.
Trabalhe mais.
Poupe mais.
Invista.

Isso vai transformar cada real em dois após algum tempo.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

A história do pedreiro que construiu sua própria casa

Olá amigos,

Nesta semana, a 1 ano atrás, cheguei a Portugal. Nasci pra perder mas vivo para vencer. Faça o mesmo.

Dias atrás falei a respeito do pedreiro alcoólatra e sobre como (pelo jeito) é difícil ser deportado daqui. Hoje trago uma estória de outro construtor, o Zé (nome fictício) a contraparte do alcoólatra, o pedreiro evangélico fervoroso.

Zé é um cara muito legal e faz a vida como estucador (acho que no Brasil chamamos ds gesseiro), ou seja, sua atividade consiste em alisar, nivelar paredes e aplicar acabamentos, e não efetivamente  bater lage e levantar tijolos. Felizmente é oficial (profissional de alto nível), e consegue, mesmo daqui de Portugal, mandar dinheiro pra investir no Brasil.

Pelo que me contou nas breves conversas que tivemos (e admito que eu puxei assunto pois quero conhecer o modo de pensar das pessoas) ele vem de uma família de pedreiros, o que é bastante comum entre operários do ramo, já que aprendem o ofício desde cedo com os pais. Isso é uma vantagem pois essa gente nunca fica desempregada, mas admito que ao longo da vida também identifiquei que muitos crescem com o estigma de que não servem para outro tipo de profissão. Muitos são até ressentidos com quem teve oportunidade de estudar.

Zé disse que morou em Portugal por uns anos, resolveu retornar ao Brasil, onde passou mais 5 anos, e a cerca de 2 está aqui novamente, segundo ele não é pra sempre, apesar de ter contrato de trabalho (com o mesmo empregador de anos atrás, que se tornou seu amigo). O motivo é ter saudades da família e viver em uma praia tranquila, onde nos últimos anos conseguiu acumular um modesto patrimônio em imóveis.

Zé fez uso de uma estratégia de investimento ao alcance de todos: investir em terrenos (lotes) e vendê-los valorizados após alguns anos. Eu mesmo fiz e faço isso. Felizmente tenho família no ramo, que me dá apoio e entregou o modesto conhecimento que possuo disso, mas como todo mundo sabe não é ciência de foguete.

A algum tempo, ao invés de vender a terra crua, Zé resolveu construir casas populares em seus domínios e prover abrigo e conforto aos seus semelhantes, agregando valor na venda. Após consultar pedreiros e calcular as custas de terceirizar a empreitada, ele decidiu aprender via YouTube o que não sabia fazer, vulgo quase tudo, tirando as sapatas da fundação, que pagou o feitio a outro profissional.


Até o momento Zé construiu uma casa, onde um amigo de sua igreja toma conta por enquanto. Não perguntei a metragem e o acabamento, mas como a mão de obra é o que mais consome recursos, o terreno que Zé fisse ter pago 25k e terem oferecido 120 antes dele construir a casa, hoje com a construção deve passar dos 200k, mesmo que seja uma bosta de casa no fim do mundo, pois fica a poucos metros da praia. Não sei se a mesma está regularizada.

Zé mesmo desenhou a planta, baseado no seu gosto pessoal e anos passados dentro de obras. A que estamos trabalhando no momento por exemplo, é uma vivenda de 4 andares que custará mais de 10 milhões de Euros. Sim amigos, eu não tinha noção da existência de moradias deste valor, ainda mais em Portugal que se compra uma casa na praia por uns 50 mil Euros... Claro que já vi notícias idiotas sobre mansões de preços elevadíssimos e imagino que um "Faustão" da vida que tem um puta salário viva numa casa cara pra cacete, mas nunca havia estado em uma.

De resto, incluindo lage, paredes, telhado e pormenores, Zé pesquisou como fazer no YouTube e com conhecidos, e fez sozinho ou com pouca ajuda. Não sei se vocês tem noção disso, mas eu acho fantástico. Zé não se vítimizou nem escolheu uma vida dentro de um escritório por R$ 1500,00 aplicando em CDB até morrer. Zé resolveu tornar-se um barão.

Como a mídia retrata landlords

Fora a casa Zé também está comprando uma grande área à prestações de 5 mil reais por mês em sociedade com seus irmãos. Pretende fazer nela loteamentos assim como meu avô fez durante a vida com seus sócios.

Como disse aqui no blog uns dois anos atrás, tinha o objetivo de construir em meus terrenos (possuo dois) ao invés de vendê-los sem nada em cima. Falei ao meu tio engenheiro que pretendia trabalhar de pedreiro nas obras, assim cuidaria os operários e deixaria de pagar um ajudante. Por mais estranho que me pareça hoje uma vez que eu não tenho muita experiência em construção, ele achou uma boa ideia.

No momento estou trabalhando junto a um carpinteiro e aprendendo bastante. Instalamos portas, chão, reparamos telhados e paredes, e tudo o que tenha a ver com madeira. Neste interim aprendi o básico de tudo (fazer paredes de gesso, instalar azulejos, orçamentos, tempo médio das empreitadas...).

Meu objetivo é tornar-me suficientemente bom para sargentear minhas próprias obras no Brasil sob supervisão do meu tio, cortar custos e corrigir um erro comum nas obras da minha família: aceitar acabamentos mal feitos por displicência e excesso de sangue doce. Coisa que não tenho.

Pessoal, eu sempre digo coisas estimulantes e já fui acusado de escrever auto-ajuda barata, mas acredito no que digo. Se você quer algo, vai lá, se mete com os caras e faz acontecer. Não tem muito além disso pra se ter sucesso em qualquer área.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Como as celebridades falam de riqueza

Olá amigos,
 
Desde que o homem é homem, ser rico é bom e ser pobre é ruim, e a gente tenta de vários modos, seja pela maneira de falar, de vestir, usando joias e etc demonstrar que somos pessoas valiosas.
 
Todos os dias as tais "celebridades", que quase nunca tem algo interessante como célebre, demonstram seu poderio financeiro nos meios de comunicação. Como não podia deixar de ser, isso é também comum no Brasil, claro que de um modo meio distorcido no país onde ser favelado é bom e se você é rico é uma pessoa má, a não ser que seja o Luciano Huck ou o Lula que dão esmola.
 
 
 
 
A maioria das celebridades, sob o cabresto da Mídia, propaga que riqueza é ter amigos, saúde e blábláblá e jamais toca na questão financeira. Quando o fazem, não pisam fora da linha, malhando de modo vago a classe política (ou a "oposição" do poder vigente) e alguma lei que supostamente lese o trabalhador assistidor de novelas e Big Brother.
 
No campo do politicamente correto, ganhar dinheiro posando pelada, jogando futebol, transando ao vivo no BBB ou atuando como "jovem dinâmico" no Youtube quase sempre é mais aceitável que investindo na bolsa ou em uma empresa.
 
 
 
 
Ou seja, a conquista da tranquilidade financeira para muitas celebridades se resume a ganhar dinheiro, em contraponto a outras poucas que foi através de fazer dinheiro. Aqui não estou fazendo juízo de valor. Cada um que cuide de sua vida.

Esses dias assisti no YouTube uma entrevista do Gene Simmons onde ele é perguntado sobre o Trump na presidência e outras bobagens na busca desesperada por atritos sociais (Simmons sempre foi apoiador de Trump), e o mesmo comentou sobre o corte de impostos que Trump deseja fazer e vai beneficiar o mercado de ações, e assim como em seu livro, recomendou aprender a investir em empresas. Isso me chamou a atenção.
 
 
 
 
Poucas celebridades falam de investir, ainda mais em algo tão politicamente incorreto como o mercado de ações, que é símbolo do capitalismo moderno. Mesmo outra pessoa que admiro, Arnold Schwarzenegger, hoje tenta se abster de falar de investimentos, mesmo tendo feito fortuna no mercado imobiliário antes de qualquer outra empreitada.
 
Falar de investimentos e trabalho duro, hoje é um tabu. No mundo das celebridades você deve fazer algo inusitado, mesmo que completamente imbecil a fim de atrair a atenção e ser sorteado com a bolada da vez. Só se fala de talento como algo natural, e não da ética de trabalho capitalista.
 
Nota: o capitalismo permite desde 1600 (link) que um peão seja sócio de grandes empresas e fique rico com sua fatia dos lucros dela.
 
Eu sugiro que você não escute músicas nem consuma mídia que estimula essa desinformação financeira toda. A tal da ostentação é o epítome do lixo cultural que deve ser combatido desde dentro de nossas casas.